Comprar um imóvel costuma ser uma das maiores decisões financeiras da vida de uma pessoa. E é justamente por envolver valores altos que pequenos deslizes na hora da negociação podem se transformar em prejuízos grandes — às vezes só percebidos meses ou anos depois. Reunimos os cinco erros mais comuns que vemos no dia a dia.
1. Não conferir a matrícula atualizada do imóvel
A matrícula é o "documento de identidade" do imóvel — nela constam o histórico de proprietários, hipotecas, penhoras e outras restrições. Muita gente confia apenas no que o vendedor diz, sem pedir uma certidão de matrícula atualizada no cartório de registro de imóveis. Esse é o primeiro passo antes de qualquer negociação avançar.
2. Não verificar certidões pessoais dos vendedores
Mesmo com a matrícula limpa, o imóvel pode ficar comprometido se o vendedor tiver processos judiciais, dívidas fiscais ou ações trabalhistas que possam resultar em penhora do bem. Certidões pessoais (cíveis, trabalhistas, de protesto e fiscais) ajudam a identificar esse risco antes da compra.
3. Assinar "contrato de gaveta" sem registro
O chamado contrato de gaveta — feito apenas entre as partes, sem lavratura de escritura e sem registro no cartório — não transfere a propriedade de fato. Quem compra dessa forma fica numa posição jurídica frágil, podendo enfrentar dificuldades para vender, financiar ou até provar que é o dono.
4. Ignorar dívidas de condomínio e IPTU que acompanham o imóvel
Débitos de condomínio e IPTU em geral são obrigações "propter rem" — ou seja, acompanham o imóvel, não a pessoa. Isso significa que, mesmo sem culpa, o novo proprietário pode ser cobrado por dívidas deixadas pelo antigo dono. Verificar certidões negativas de débito antes de fechar negócio evita essa armadilha.
5. Não ter um advogado revisando o contrato antes de assinar
Talvez o erro mais comum de todos: confiar inteiramente na minuta pronta apresentada pela outra parte ou pela imobiliária, sem uma revisão jurídica independente. Cláusulas sobre prazo de entrega, multas, condições de rescisão e responsabilidade por vícios ocultos merecem atenção especializada — é justamente aí que costumam se esconder os maiores riscos.
Como evitar esses erros
A forma mais segura de comprar um imóvel é com uma due diligence completa antes da assinatura: análise de matrícula, certidões pessoais e do imóvel, e revisão do contrato por um advogado especialista em direito imobiliário. O custo dessa análise é sempre muito menor do que o prejuízo de uma negociação mal feita.